TOC x Paixão: Paixão é doença?

Quem já esteve apaixonado sabe a “loucura” que é. A sensação controla o indivíduo. Por isso, alguns estudiosos tem se debruçado sobre esse fenômeno. Fala-se atualmente sobre amor patológico, aquele em que o apaixonado presta cuidados, dá atenção e se doa ao parceiro de maneira repetitiva e descontrolada. Esses quadros de amor patológico são normalmente (mas não sempre) causados por baixa autoestima, raiva, falta de afeto, histórico de negligência por parte da família ou estresse. Claro que é necessário que haja mais estudos para compreendermos melhor tal acontecimento. Mas esses fenômenos já são estudados, reconhecidos e acompanhados para melhorar o bem estar do indivíduo.

PAIXÃO E TOC

            Mas e o simples fato de estar apaixonado, seria ele patológico? Alguns estudiosos dos Estados Unidos sugerem uma resposta bastante curiosa. Eles avaliaram neurologicamente pessoas que se apaixonaram recentemente, pessoas que estão em um relacionamento antigo, pessoas com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) em tratamento medicamentoso e pessoas com TOC sem tratamento. Os resultados mostram que as pessoas que estavam apaixonadas tinham as mesmas alterações hormonais e neuroquímicas que as pessoas diagnosticadas com Transtorno Obsessivo-Compulsivo. Ou seja, se apaixonar é bioquimicamente igual a ter o transtorno.

            toc-post-1Mas o que é exatamente o TOC? Segundo o DSM-V, é um transtorno caracterizado pela presença de obsessões e compulsões. As obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes e persistentes vivenciadas pelo indivíduo. Enquanto compulsões são comportamentos ou atos mentais bastante repetitivos que o individuo se sente quase que obrigado a executar como resposta a uma obsessão. E aí, alguma semelhança com um indivíduo apaixonado?

            Os estudiosos ainda investigaram o ciúme e perceberam que há uma baixa quantidade de serotonina em indivíduos ciumentos, o que os levou a hipótese de que o ciúme excessivo está relacionado a várias formas de psicopatologias.toc-post-2

            Bom, aparentemente nosso corpo compreende o ato de se apaixonar da mesma maneira que compreende um transtorno psicopatológico. Seriam eles realmente iguais e somos nós que valorizamos apenas um deles ou essa característica em comum seria apenas em um nível ideacional?

 

REFERÊNCIAS

MARAZZITI et al. Alteration of the platelet serotonin transporter in romantic love. Psychological Medicine, v. 29, p. 741-745, 1999.

MARAZZITI et al. Jealousy and Subthreshold Psychopathology: A Serotonergic Link, Neuropsychobiology, v. 47, n.1, p. 12-16, 2003.

SOPHIA; TAVAREs; ZILBERMAN. Amor patológico: um novo transtorno psiquiátrico? Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, v. 29, n. 1, p. 55-62, 2007.

 

Sobre a autora

Priscilla Figueiredo

Priscilla Figueiredo é Psicóloga de orientação Psicanalítica graduada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas e atua na área da saúde como psicóloga clínica. Para disseminar seu conhecimento, criou o Psicologia Para Curiosos e escreve artigos regularmente aqui no site.

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