O esgotamento e a Síndrome de Burnout

A síndrome de Burnout também é conhecida como esgotamento profissional. Isso já nos dá uma boa ideia do que se trata, mas nesse post falaremos mais detalhadamente sobre o assunto.

O QUE É

            A síndrome de Burnout pode ser compreendida como um estado de triplo esgotamento (físico, emocional e mental) ligado à vida profissional.

            burnout-post-1Os primeiros estudos sobre essa síndrome datam da década de 1970, feitos por Freudenberger. O nome burnout vem do inglês “to burn out”, queimar-se por completo, consumir-se. E é exatamente isso que acontece nessa síndrome: a pessoa consome tudo o que tem em si para se dedicar à vida profissional! Além da dedicação exagerada à vida profissional, há também o grau de desempenho: a auto-estima do acometido varia de acordo com sua capacidade e sucesso profissional. Há a impossibilidade de vivenciar prazer e satisfação enquanto o esforço/desempenho não é reconhecido. Em consequência disso, há uma busca incessante de se afirmar e realizar esse desejo profissional, fazendo com que a pessoa se desgaste até se consumir por completo.

            O indivíduo acometido se sente abatido, desesperado, fragilizado e vê o trabalho de forma negativa. O triplo esgotamento que citamos traz alguns sintomas. O esgotamento físico faz com que aumente a fragilidade física e com isso surgem dores de cabeça, dores na coluna, taquicardia, sudorese e etc. O esgotamento emocional se manifesta através da apatia e de estados depressivos. No início eles podem parecem pequenos, mas podem evoluir até virem a se tornar pensamentos suicidas. Já o esgotamento mental faz com que a pessoa tenha sentimentos de inferioridade e incompetência que podem evoluir para diversos transtornos mais graves.

Mas, por quê?

            Infelizmente, nos dias de hoje o indivíduo é visto de acordo com sua colocação profissional. Uma pessoa que tem êxito em uma profissão de status é vista pelos outros como uma pessoa feliz e bem sucedida. Além disso, há uma tentativa frequente de passar a ideia de realização profissional. Ouvimos o tempo todo que devemos trabalhar com aquilo que amamos de verdade, pois assim seremos felizes e bem sucedidos. É importante lembrar que essa é uma ideia equivocada e acreditar nisso pode trazer muita frustração. Por mais que a pessoa goste do que faz, o trabalho exigirá esforço e poderá ser cansativo em muitos dias, além disso, trabalhar com aquilo que ama não é garantia de sucesso. Essa crença faz com que os indivíduos busquem incansavelmente o sucesso profissional como “resolução de todos os problemas” e se desgastem até seus limites.

            Os trabalhadores são frequentemente acometidos de incertezas, frustrações e medos provocados pela sociedade e pelo exercício profissional. Assim, o trabalho compreendido como forma de realização se torna um fator de risco para a saúde, pois o homem se transforma em máquina para produzir mais e alcançar satisfação, mas descarta aspectos de proteção à sua saúde física, emocional e mental.

O que fazer?

            Fica claro que bem-estar e saúde são essenciais dentro do trabalho. É trabalhando que passamos maior parte do nosso tempo e vida, assim nossa qualidade de vida está diretamente relacionada às nossas necessidades no trabalho, nossas expectativas e satisfações. Então antes de tudo devemos descontruir a crença de que seremos indivíduos felizes ou bem sucedidos quando tivermos êxito profissional ou que se trabalharmos com aquilo que amamos seremos automaticamente bons nisso.

            burnout-post-2Além disso, devemos buscar reduzir o nível de estresse ocupacional. Tanto o indivíduo quanto a empresa contratante devem pensar em QUALIDADE DE VIDA e não apenas em produção. O indivíduo feliz irá produzir mais, por isso a empresa deve sempre manter seus empregados satisfeitos e saudáveis. É importante também investir em bem-estar a partir das outras áreas da vida. Pratique atividade física, tire tempo para se dedicar aos seus relacionamentos familiares, amorosos ou amizades. Não abra mão do entretenimento, é importante poder se divertir, procure fazer algo que você gosta ao menos uma vez por semana. Cuide de sua saúde, o físico, o mental e o emocional são bastante interligados e é importante manter tudo em ordem.

            Por último, mas não menos importante, ajude a espalhar conhecimento acerca do burnout. Compartilhe esse texto com seus amigos, converse sobre a doença com familiares. Quanto mais conhecermos sobre o assunto mais podemos nos cuidar e nos prevenir. A informação deve ser transmitida a todos os trabalhadores e empresas, para que haja uma melhoria na qualidade de vida e até no ambiente de trabalho.

REFERÊNCIA

PAGANINI, D. Síndrome de Burnout. UNESC, 2011.

Sobre a autora

Priscilla Figueiredo

Priscilla Figueiredo é Psicóloga de orientação Psicanalítica graduada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas e atua na área da saúde como psicóloga clínica. Para disseminar seu conhecimento, criou o Psicologia Para Curiosos e escreve artigos regularmente aqui no site.

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