Dicas para manter a auto-estima na terceira idade

Na década de 60 a expectativa de vida era de 62 anos. Hoje, 50 anos depois, a expectativa de vida passa dos 75 anos. Muito disso é devido aos avanços da medicina, a maior qualidade de vida que temos hoje em dia e a adoção de hábitos que hoje sabemos ser saudáveis. Mas, como fazer para nosso psicológico, nosso emocional ainda estar bem na terceira idade? Deve-se trabalhar a auto-estima!

Auto-estima

            Atualmente somos reconhecidos, além de nossas habilidades, por nossa posição e sucesso profissional. Quando você pergunta a uma pessoa quem ela é, ela logo diz que é médica, advogada, dentista e etc. Concomitante a isso, nossa sociedade costuma valorizar e cultuar o que é novo, bonito e jovem. Esses fatores em conjunto fazem com que o idoso, depois de aposentado e quando seu corpo já não tem o mesmo vigor, sinta-se inútil, feio e, muitas vezes, um peso para a família. Isso, é claro, tem um forte impacto na autoestima e é um dos principais motivos de o índice de depressão na terceira idade ser tão alto. Mas isso não precisa ser assim. Há diversas coisas que podem ser feitas para o idoso viver e realmente aproveitar sua vida, ao invés de apenas sobreviver.

            auto-estima-post-1A primeira dica é: se a agenda não está mais cheia, é hora de aproveitar o tempo livre! É ideal que o idoso procure ocupar seu dia o máximo possível com atividades que ele participe ativamente. Por mais que a televisão seja um entretenimento fácil, rápido e barato, é uma atividade passiva, em que o indivíduo não interage realmente com o acontecimento. O exercício físico tem se mostrado um grande aliado dos idosos, de acordo com estudos recentes. Além dos benefícios químicos, a pessoa ao exercitar-se se sente viva, forte e capaz. De quebra ainda melhora o corpo e dá uma elevada na autoimagem e na autoestima. Mas se o corpo já está fragilizado e não aguenta um exercício pesado, há outras opções. Caminhadas no parque, alongamento em grupo e hidroginástica são alternativas leves, saudáveis e que ajudam a fortalecer o corpo.

            Outro fator importante é sentir-se útil e capaz. Para isso é sempre legal buscar fazer algum curso ou aprender algo que sempre foi atrativo, mas nunca teve tempo. Por que não praticar um pouco de jardinagem no tempo livre? Ou aprender a pintar? Nunca é tarde para aprender e a atividade pode se mostrar extremamente prazerosa. Ler um livro interessante e aprender algo novo é uma atividade mais simples e imediata que também é de grande ajuda na autoestima. Aqui no Psicologia Para Curiosos, tenho leitores que são senhores e acessam semanalmente para aprender algo novo, alguns até entram em contato comigo para tirar dúvidas ou comentar algo sobre o tema, o que é muito legal e já nos leva ao próximo aspecto: a socialização.

            Muitos idosos se mostram seletivos em suas relações sociais. Limitando sua socialização apenas à família e às vezes só os membros mais próximos dessa. Mas sair para jantar com os amigos, assistir ao jogo com o vizinho, fazer parte de um clube de leitura, carteado ou dança podem se mostrar grandes aliados. A socialização com outras pessoas além de prazerosa ajuda a combater a solidão e o isolamento.

            E como a família pode ajudar? Felizmente, de diversas formas. A maneira mais básica é não sendo bons demais. Sim, é isso mesmo. Acontece que é comum os familiares tentarem facilitar ao máximo a vida do idoso e proporcionar conforto a ele. Porém, isso faz com que ele se veja sem nenhuma responsabilidade e causando desgaste naqueles que ama. Para piorar, o idoso que não tem a obrigação de realizar nenhuma atividade pode se acostumar a ficar parado, o corpo se acostuma e auto-estima-post-4algumas habilidades vão se perdendo, como dirigir, cozinhar e etc. Então nesse caso, dar responsabilidades é um sinal de amor. Deixe que o idoso possa ir ao banco pagar as próprias contas, faça as comprar no supermercado, compre seus remédios na farmácia e cozinhe seu almoço.  Ele vai se sentir útil, independente e perceber que tem um papel importante dentro do enquadre familiar.

            A família pode ainda ser um fator importante na autoimagem dando carinho, amor, atenção, elogios e deixando que aquela pessoa saiba que é amada e admirada. Os idosos casados devem manter o romance, saia para um jantar a dois, para ir ao cinema ou ver o por do sol no parque. Lembre o parceiro de que o ama e sente-se amado por ele. Mas aqueles que são solteiros ou viúvos devem se aventurar no amor! Receber e dar carinho, sentir-se querido e desejado é comprovadamente uma das melhores formas de trabalhar a autoestima.

            Aliado a tudo isso que já falei, a psicoterapia se mostra muito útil. Em meu consultório atendo também idosos, o resultado é ótimo e muitas vezes rápido. A possibilidade de o idoso ter um espaço em que ele possa ser ouvido e compreendido já é de grande valia. Mas há ainda o autoconhecimento que a psicoterapia proporciona e as técnicas que os psicólogos utilizam para que seja trabalha a autoimagem e autoestima.

Versão editada do texto produzido originalmente como entrevista que concedi à Revista Metrópole de Campinas.

Sobre a autora

Priscilla Figueiredo

Priscilla Figueiredo é Psicóloga de orientação Psicanalítica graduada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas e atua na área da saúde como psicóloga clínica. Para disseminar seu conhecimento, criou o Psicologia Para Curiosos e escreve artigos regularmente aqui no site.

Deixe seu comentario