Agressão fofinha: O comportamento Felícia

Lembra da Felícia, aquela personagem do Tiny Toon que adorava apertar os bichinhos? Então, seja apertando as bochechas de um bebê ou apertando um cachorrinho fofo, todos nós já passamos pela experiência ou conhecemos alguém que tem vontade de “judiar” de coisas fofas. Por isso pesquisadores da faculdade de Psicologia de Yale pesquisaram o assunto e nos explicam porquê coisas fofas despertam nosso lado agressivo. Eles chamam isso de Agressão Fofinha.

Estudo do Comportamento

         cute-aggression-post-1O termo é novo: Cute Aggression (que traduzimos aqui como agressão fofinha), mas vem para explanar algo já antigo: a vontade de apertar algo fofinho! Todo mundo já disse ou ouviu alguma dessas frases: “Dá vontade de esmagar”, “vontade de morder”, “vou te apertar” e etc. Algumas pessoas até fazem cara de espanto perante a isso, pois a lógica seria ter vontade de cuidar e acariciar algo fofo. Mas não, não somos loucos, violentos e nem psicopatas. A ciência vem nos esclarecer que esse é um comportamento comum e que tem explicação.

            Rebecca Dyer e Oriana Aragon, as pesquisadoras por trás dos primeiros estudos, primeiramente queriam confirmar que esse comportamento realmente existe. Para isso, colocaram 109 participantes para verem fotos de animais fofinhos, engraçados ou neutros. Os participantes tinham que avaliar as fotos em seu nível de fofura ou graça. Além de explicar como se sentiam com relação as fotos. As frases que apareceram ligadas as fotos fofas foram coisas como “eu não aguento”, “eu quero falar alguma coisa tipo ‘grrr’” e “preciso apertar alguma coisa”. Outro teste que fizeram foi o de entregar plástico bolha na mão dos participantes que assistiam a imagens variadas. E não deu outra, quando aparecia algo bonitinho os participantes estouravam quase o dobro das bolhas do que em outras imagens.

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Agnes, de Meu Malvado Favorito dizendo “É tão fofinho, eu vou morrer”.

Agressão Fofinha

         Depois da confirmação da existência do comportamento em uma maioria das pessoas, os estudiosos se debruçaram sobre isso para entender o motivo de acontecer. Foi daí que surgiu o termo “cute aggression”, para se referir ao comportamento que estavam estudando.

A explicação para esse comportamento de agressão fofinha é: excesso de emoções! Sim, é isso mesmo. Ao se deparar com algo muito fofo nosso corpo lida com um excesso muito grande de felicidade e prazer, com o qual ele não sabe lidar – isso inclusive explica a frase “eu não aguento” – e usa um mecanismo de defesa para equilibrar as coisas: a agressão. Seria algo similar a lágrimas de felicidade ou risos de nervoso. Quando há excesso de determinada emoção a mente se usa de um sentimento oposto para equilibrar as coisas e nos trazer ao estado normal.
cute-aggression-post3  Os estudos mostram ainda que as pessoas que apresentam esse comportamento dimórfico tendem a apresentá-lo em outras situações de emoções intensas: como chorar nos momentos felizes de um filme ou chorar de frustração.

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Agnes, gritando “É tão fofinho”

            Anna Brooks e Rick van der Zwan, ambos pesquisadores neurocientistas da Universidade de Southern Cross, também estudaram o assunto posteriormente e explicam que a mente tem uma capacidade altamente adaptável de regular a força de nossas emoções. Isso acontece para que não nos deixemos investir toda a nossa energia nas coisas.

Então podem ficar tranquilos, a agressão fofinha é completamente normal e saudável, além de comum. Agora entendemos e ficamos lisonjeados de lembrar quando nossas tias apertavam nossas bochechas, éramos tão fofos que elas não conseguiam suportar. Fazer o que não é mesmo?

Até a próxima e um abraço de felícia pra vocês.

 

REFERÊNCIAS:

Aragón, Oriana R., et al. “Dimorphous Expressions of Positive Emotion Displays of Both Care and Aggression in Response to Cute Stimuli.”Psychological science (2015).

Arnold, Carrie. “Cuteness Inspires Aggression.” Scientific American Mind (2013).

Brooks, Anna, and Rick van der Zwan. “Explainer: what is cute aggression?.”The Conversation: academic rigour, journalistic flair (2013).

Sobre a autora

Priscilla Figueiredo

Priscilla Figueiredo é Psicóloga de orientação Psicanalítica graduada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas e atua na área da saúde como psicóloga clínica. Para disseminar seu conhecimento, criou o Psicologia Para Curiosos e escreve artigos regularmente aqui no site.

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