A Síndrome que cria laços entre sequestrador e vítima

Existe uma síndrome (síndrome de Estocolmo) na qual a vítima de um sequestro cria laços com o sequestrador. O nome veio de um caso bastante expressivo na década de 1970.

Deficientes visuais e pessoas com pouco tempo para leitura (e qualquer outra pessoa que quiser) podem ouvir o áudio do texto no player abaixo.

O QUE É A SÍNDROME DE ESTOCOLMO?

A síndrome de Estocolmo é descrita como um mecanismo de adaptação que evita que pensamentos e eventos estressores desequilibrem e desregulem o emocional do indivíduo. É um estado psicológico no qual a vítima se demonstra leal e grata ao seu sequestrador.

Inicialmente isso se dá como um mecanismo de defesa, já que a vítima tem medo de retaliação e age de modo a agradar o agressor e não irritá-lo. Porém, isso cria uma situação de grande dependência e submissão da qual muitas vezes o indivíduo não se dá conta. Alguns autores defendem que essa situação faz com que o refém regrida e passe a ver seu agressor como uma figura materna que tem posse de sua vida e a protege, gerando assim uma relação afetiva com rico sentimento de gratidão pelo cuidado de sua vida. Além de um vínculo de dependência da vítima para com o agressor, fazendo com que crie hipóteses e razões para justificar que o sequestrador tenha lhe privado de sua liberdade.

É importante dizer que essa síndrome é de difícil diagnóstico e comumente confundida com Transtorno do Estresse Pós-Traumático. Assim é de suma importância um diagnóstico eficaz e um acompanhamento psicológico profissional adequado.

 O MOTIVO DO NOME

O criminologista Nils Bejerot deu esse nome à síndrome devido a um evento ocorrido na cidade de Estocolmo, capital Suéca, em 23 de agosto de 1973. Um ex-presidiário chamado Jan Erik Olsson entrou no banco Kreditbanken, localizado na Praça Norrmalmstorg, para cometer um roubo. Seu plano falhou e a polícia logo cercou o local. Olsson então fez quatro reféns (três mulheres e um homem) que ficaram com ele dentro do banco por seis dias, enquanto as negociações com a polícia se arrastavam. Um dos pedidos do criminoso que foi atendido era que seu amigo Clark Olofsson pudesse entrar com suprimentos para eles.

Completados seis dias, a polícia invadiu o local e ninguém foi ferido. Entretanto, algo curioso aconteceu:

Os reféns defenderam seus captores dizendo que compreendiam os motivos pelos quais eles haviam cometido tal ato e declarando que estavam com mais medo da polícia do que deles, que viam como protetores. Clark ficou muito amigo de uma das vítimas, eles se encontravam e suas famílias também passaram a se conhecer e manter uma relação de amizade.  Erik Olsson, enquanto cumpria seu tempo na prisão, recebia cartas de diversos admiradores e passou a se corresponder com uma em especial com a qual veio a se casar posteriormente. Além disso, diz-se que as vítimas juntaram fundos para que os sequestradores pudessem recomeçar a vida após saírem da prisão.

Há quem diga que Olsson se casou com uma das reféns, mas esse é apenas um mito gerado por uma confusão. Na verdade, Clark Olofsson criou uma grande amizade com uma das reféns e sua família, enquanto Erik Olsson se casou com uma admiradora que conheceu se correspondendo por cartas.

REFERÊNCIAS

FABRIQUE et al. Understanding stockholm syndrome. 2007.

MELO; CASSINI; LOPES. Do estresse e mal-estar gerencial ao surgimento da síndrome de estocolmo gerencial. Rev. Psicol., Organ. Trab.,  Florianópolis,  v. 11, n. 2, dez.  2011.

MONTERO. Psicopatologia Del Síndrome de Estocolmo: ensayo de um modelo etológico. Ciência Policial. 1999.

SLATKIN, The Stockholm Syndrome and Situational Factors Related to Its Development” Ph.D. diss., University of Louisville, 1997.

Sobre a autora

Priscilla Figueiredo

Priscilla Figueiredo é Psicóloga de orientação Psicanalítica graduada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas e atua na área da saúde como psicóloga clínica. Para disseminar seu conhecimento, criou o Psicologia Para Curiosos e escreve artigos regularmente aqui no site.

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